Bloqueio de diferencial
e bloqueio central de diferencial
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Muitos off-roaders ainda confundem bastante esses
dois sistemas de diferenciais, assim como seus blocantes.
A fim de esclarecer as dúvidas, vamos analisar os dois
mecanismos utilizados atualmente nos veículos off-road.

Essas são situações onde o bloqueio de diferencial seria necessário. Com ele, a roda no ar ou sem aderência, não patinaria e a força seria transmitida por igual para as duas rodas do eixo dianteiro

O diferencial
Para entender o funcionamento do bloqueio de diferencial, é necessário saber antes um pouquinho do que é, e para que serve o diferencial. Trata-se de um dispositivo, equalizador de velocidades e torques entre dois eixos. Sabemos que um arco de um raio maior é mais longo que o mesmo com raio menor. Pois bem, os pneus externos percorrem um caminho mais longo que os internos ao fazerem uma mesma curva, girando mais voltas. A diferença dessas voltas é compensada no diferencial através de engrenagens cônicas, chamadas de planetárias e satélites. Vamos supor que ambas as rodas de um mesmo eixo estivessem soldadas trabalhando solidárias. Ao percorrer uma curva, a roda externa teria que percorrer um espaço maior que a interna. Trabalhando solidárias, isto seria impossível, causando duas consequências: ou a roda interna seria arrastada pela externa, girando sobre si mesma, sem percorrer a mesma distância que a externa ou, caso a aderência fosse igual para ambas, o movimento de arrasto inibido por esta aderência, causaria a quebra ou a torção do eixo. O diferencial foi a soluçao encontrada para resolver este problema
O bloqueio do diferencial
Para a tristeza de todo off-roader, a maior característica do diferencial é que ele sempre transmite a força pelo caminho mais fácil. Ou seja, a força irá para a roda que está girando com menor aderência, ou patinando livre na lama. É aí que o bloqueio de diferencial entra em ação. O bloqueio de diferencial nada mais é que um eliminador temporário do efeito diferencial, fazendo com que as rodas trabalhem solidárias enquanto o bloqueio estiver engatado. Não é uma idéia nova, pois há registros de experimentos e testes com esses equipamentos já nos tempos da 2ª Guerra Mundial. 
O bloqueio é instalado na caixa de diferencial e faz com que a roda que estiver em situação de menor aderência ao solo, receba o mesmo torque da roda oposta. É bem fácil de entender: imagine uma trilha alucinante, e você ali, bem no olho do furacão. Seguindo em frente pelos obstáculos, você topa com uma "big" subida, com um facão tamanho gigante. Você respira fundo e encara a bronca. No começo da subida, a frente do carro sobe e acaba ficando com uma roda apenas no chão. Se o seu carro não tiver o bloqueio, a transposição do obstáculo será muito difícil, pois a força maior será jogada na roda que está suspensa, sendo necessário até que seus companheiros de trilha subam no jipe, fazendo peso para que ele encoste as rodas que estão suspensas no chão e possam de novo tracionar. E mesmo assim talvez não consiga os resultados necessários, tendo que apelar para o guincho. Trabalheira, não? Agora se o seu veículo estiver equipado com bloqueio de diferencial, as coisas mudam de figura. Com esse equipamento, mesmo com uma roda dianteira ou uma traseira suspensas, a força será transmitida por igual para as rodas de cada eixo.
Essas são algumas das situações em que os veículos full-time (tração 4x4 permanente) necessitam de seu bloqueio
central de diferencial. Na situação acima, (uma subida íngreme e sem aderência) o peso do veículo concentra-sena traseira, fazendo com queas rodas dianteiras patinem. Com o bloqueio acionado, esse problema é resolvido, pois a força será transmitida por igual para todos os eixos. No mesmo tipo de piso, só que em posição contrária, o bloqueio ajuda o veículo a se manter em sua trajetória, principalmente quando combinado com a reduzida.
No Brasil são encontrados três tipos de bloqueio de diferencial: O diferencial autoblocante (tração positiva, positraction ou de F-100/F-1000, modelo Twin-Drive) como é conhecido, são diferenciais convencionais com freios. Estes freios brecam a fuga de força que está escapando por uma roda, transmitindo-a para outra. Para picapes usadas na cidade, é um equipamento bastante eficiente, pois compensa a má distribuição de peso que estes veículos têm sobre cada eixo. Esta má distribuição de pesos faz com que exista um patinamento exagerado no eixo motriz (geralmente 4x2 e traseiros), não permitindo uma performance 
satisfatória destes utilitários, principalmente em condições de baixa aderência. São bloqueios automáticos, chamados de parciais, pois só atuam em 30% do que seria o bloqueio total do diferencial. No caso dos jipes, é ilusória a idéia de que estes bloqueios possam tirar o veículo do embaraço. Enquanto novos, ajudam um pouco. O exagerado esforço de operação promove um desgaste acelerado do equipamento. Os 30% passam rapidamente a representar 20%, 10%, 5%, até que o bloqueio deixe de existir. Possivelmente o motorista não perceberá a situação, achando que ainda pode contar com o bloqueio. Esse bloqueio se desgastará sem aviso, até que fatalmente quebrará dentro da caixa do diferencial, causando prejuízos fatais ao conjunto. Mesmo assim, pode ser instalado apenas em Jeeps fabricados de agosto de 1968 em diante, devido a diferenças de semi-eixos e rolamentos, como também pela maneira como eram fixadas as rodas nos modelos anteriores.
Um equipamento muito bom e que se encontra em lojas especializadas em artigos off-road é o diferencial blocante do fabricante australiano ARB, denominado Air-Lock. Trata-se de um diferencial convencional com travamento mecânico, feito através de um acoplamento, e tem sua maior vantagem no fato de que, quando desligado, funciona como um diferencial normal. É acionado dentro do carro com dois botões distintos (dianteiro e traseiro) que através de ar comprimido desloca o acoplamento e estabelece uma ligação temporária entre a caixa das satélites e uma das planetárias, zerando o funcionamento do diferencial. Uma informação importante é quanto à instalação do bloqueio de diferencial no eixo dianteiro do veículo. Essa medida não é aconselhável, porque altera as condições de dirigibilidade originais, podendo ocasionar acidentes até mais graves ao veículo. Outra é quanto ao momento de se utilizar o equipamento. Jamais o bloqueio deve se utilizado em situações próximas a 100% ou seja, no asfalto seco, cimento, paralelepípedos, etc. Quanto maior for a aderência do terreno, maior será o esforço dos componentes de transmissão. Assim, o bloqueio deve ser utilizado apenas nos momentos de extrema necessidade de tração, e após isso deverá ser desconectado. Isso se aplica a qualquer tipo de bloqueio de diferencial.
POSIÇÃO DO DIFERENCIAL CENTRAL
OU INTERDIFERENCIAL

O QUE MUDA NO DIFERENCIAL COM
O BLOQUEIO INSTALADO

Este diferencial ainda original, está com todas as suas engrenagens cônicas e satélites, que criam o efeito diferenciador de velocidades

Este diferencial já está equipado com bloqueio (modelo Full-Lock) que anula o efeito diferenciador

DIFERENCIAL CONVENCIONAL

BLOQUEIO DE DIFERENCIAL MANUAL (ARB LOCKER)

O Air-Lock é fabricado para diversos modelos de carros.
O outro modelo de bloqueio de diferencial que está sendo bastante usado é o bloqueio automático, originário dos modelos americanos e aprovado por sua eficiência, simplicidade e custo reduzido. Lá fora é conhecido como Detroit-Locker e Lock Right; no Brasil é fabricado com o nome de Full-Lock. 
Diferencial e o bloqueio central 

Além das rodas, os eixos cardã também giram em diferentes rotações, um em relação ao outro, quando um veículo 4x4 faz uma curva. Por isso não se deve deixar a tração engatada nos 4x4, quando estes estiverem trafegando em terrenos firmes e secos. E os full-time? Full-time são os 4x4 integrais, ou seja, veículos que trafegam com a tração 4x4 mesmo no asfalto, rodovias, etc. Nossos exemplos mais conhecidos são os Land Rover e os Lada Niva. Estes veículos só podem gozar de suas condições full-time porque possuem um terceiro diferencial posicionado entre os dois eixos cardã, exatamente na caixa de transferência. Pelo efeito diferencial é eliminada automaticamente a diferença de rotação dos dois eixos cardã, no momento de uma curva. Mas em sistuações de rampas, quando há uma grande diferenciação na transferência de pesos sobre os eixos dianteiro/traseiro, novamente o diferencial (agora central) deverá transmitir o torque para o lado mais leve. O resultado é que um dos eixos terá menos torque que o outro, dificultando a operação. Assim, todo o veículo full-time tem que possuir necessariamente um bloqueio em seu diferencial central. Isso não faz com que ele seja melhor que os demais 4x4. É apenas um dispositivo a mais, que permite que o veículo tenha a mesma eficiência de qualquer 4x4 convencional, e ainda possa transitar full-time para uma maior segurança ao dirigir. Então quando se fala no bloqueio do diferencial é necessário distinguir-se em que diferencial esse dispositivo está instalado. Isso faz uma grande diferença .

Veja também: 

Jeep & Jeep´s

Vacuum Differential Lock

Lock Right Differential Lock


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